Lectio Divina (Eclo 27,25-29): Fazer o bem sem olhar a quem


A Lectio de hoje vem nos falar sobre o retorno que é recebido pelo que fazemos para com os outros. Quem pratica o mal, recebe o mal de alguma maneira de volta. Da mesma maneira o bem que fazemos, embora o autor sagrado não cite e possamos simplesmente presumir uma nova verdade a partir de outra.

O autor compara a traição a jogar pedras para cima, corre-se o risco de ser acertado. Pedras que não acertaram não passam de pedras que caíram perto da pessoa que jogou, no chão, mas ainda pode tropeçar nelas e cair. Assim é a traição. Quem trai pode ser que o ato não seja descoberto, mas uma hora ou outra a pessoa cai de cara no chão, e então vem o arrependimento.

Sobre a armadilha, nem sempre a pessoa que a prepara fica presa nela, como pode supor quem lê o versículo 26. No entanto, a mesma armadilha significa uma armadilha similar ou mesmo igual, que pode ter sido preparada por outra pessoa. A grande questão aqui é a multiplicação do mal. Devemos barrar essa multiplicação em nós, elevando o bem e multiplicando este.

Quem pratica o mal está rodeado do mal. É lógico que um dia essa maldade vai derrubar a pessoa e, como diz Jesus, ali haverá choro e ranger de dentes. Se as pessoas não praticam o bem porque não sabem pensar no próximo, no mínimo deveriam praticar pelo medo da lei do retorno, de receber de volta males que se quer fazer.

A pessoa não sabe de onde vem o mal, porque espalhar bem ou mal se torna um ciclo. Se fazemos o bem a alguém, esse alguém faz a outro alguém, e a outro, e vai passando de pessoa a pessoa e um dia uma pessoa, motivado pelo bem que fizeram a ela, fará um bem à nós. Da mesma maneira é com o mal: não sabemos de onde veio, mas sabemos que pode ter vindo, de alguma forma, de nós. Por isso, analisemos nossa vida e busquemos sempre agir pelo bem.

O soberbo acha que pode tudo, seus sarcasmos e ultrajes o acompanham, colocam as pessoas no chão e ele as castiga. O que o autor sagrado chama de leão que espreita, de vingança, é o que Jesus promete no sermão da montanha: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!” (Mateus 5, 6.10).

Por fim, o autor sagrado fala sobre os que se alegram com a queda dos fiéis. Isso pode acontecer também dentro de uma comunidade, onde uma pessoa se felicita por alguém ter errado. São pessoas que estão longe de Deus. Tive uma professora na faculdade que nos indicou um filme: Hannah Arendt. É uma história baseada em fatos reais de uma filósofa que defende o caso de um homem que é acusado de crimes do nazismo. Em um momento do filme, ela fala que o mal vem do não pensar. Quando refletimos em Deus aquilo que estamos sentimos e que desejamos fazer, percebemos o mal que há ali e, dessa maneira, deixamos de fazer de alguma forma. Quem se alegra com o mal são pessoas que não pensam e, uma hora ou outra, como diz o autor sagrada na lectio de hoje, morrerão em dor pelo mal que resolveram carregar consigo.

Peçamos ao Senhor a graça de vivermos sua vontade e verdade, que façamos o bem e ajamos pelo bem, nos felicitando por quem se felicita, estendendo a mão para quem tropeça. Que nós ensinemos o valor do pensar, para que não façamos um mal sem saber que estamos fazendo. Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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