Lectio Diária (Eclo 18,19-29): A arte da prudência


A palavra de hoje vem nos trazer a graça da prudência. A prudência nos faz vencer as tentações do maligno, pois ela é o contrário do agir por impulso. Quem é prudente dificilmente errará na vida e não há outra forma de viver a vontade de Deus se não for buscando ser cauteloso com as situações da vida importantes em que precisamos tomar uma decisão que não se pode voltar atrás.

O autor sagrado começa com o falar e com a doença. No primeiro, ensina-nos que para falar algo diante das pessoas é preciso saber do que se está falando. Mas é claro, ninguém pode emitir opinião de algo que não conhece. O sábio dirá: “volte daqui há uma semana e nós poderemos conversar sobre este assunto”. Então ele passará a semana estudando. Na doença, nosso corpo tem suas limitações e fraquezas. Caso não tomemos cuidado, ficaremos doentes e não poderemos exercer nossas atividades normais do dia a dia. Tomar cuidado seria ter uma alimentação saudável, fazer exercícios físicos. Diante de alguém que esteja gripado, precaver-se tomando algo natural que fortaleça o organismo para não griparmos também. Humilhar-se para não ficar doente deve significar tomar coisas que seria vergonhoso a nós tomar na frente dos outros, como por exemplo um chá de ervas.

Além disso, precisamos examinar a nós mesmos para que no dia do julgamento, encontremos o perdão. Isso lembra muito o sacramento da reconciliação, onde fazemos um exame de consciência, arrependemos-nos e nossos pecados são perdoados. Porém, penso que o descrito no parágrafo anterior aplica-se também aqui. Diante da tentação, só quem se precaver é que não sucumbirá a ela e, por consequência, não pecará. Mas como se precaver nestas situações? O autoconhecimento é a chave para que tenhamos forças para superar nossos limites e, dessa maneira, vencer a tentação. Não digo que essa força vem de nós mesmos, que nós temos forças para vencer sozinhos a tentação. Longe disso. É o Espírito Santo que nos revela quem somos, pois Ele nos conhece mais do que nós mesmos conhecemos. E é o poder de Deus que nos fortalece na caminhada, então a oração pessoal diária é importante para alcançar tais graças. Só em Deus é possível viver uma vida de santidade.

A palavra mostra também a questão da promessa. Ninguém pode prometer o que não pode cumprir, senão será visto como um mentiroso por todos. Por isso, antes de prometer, precisamos examinar se somos capazes de cumprir aquela promessa. Mais uma vez a prudência aqui é cabível.

Sobre o tema finanças, o autor sagrado da umas dicas de como ser prudente. Ele pede para que nos lembremos dos tempos da carestia quando estivermos na abundância e da pobreza nos tempos de riqueza. Quem se lembra desse tipo de coisa, não como um fardo pesado ou de maneira negativa, mas como algo que poderia acontecer; certamente se precaverá e não gastará mais do que deve para que tudo seja suficiente mesmo quando faltar.

Não existe tempo para Deus e, como o autor sagrado diz, tudo é passageiro a Ele. O sábio não negligencia o pecado quando se espalha, ou seja, ele não se faz de cego ao perceber que o pecado está dominando o seu coração, antes ele entra em oração e, diante do Senhor, coloca o seu pecado, que é lavado pelo sangue do cordeiro de Deus que tira todo o pecado do mundo.

O autor sagrado finaliza com alguns dizeres sobre o homem sábio. Este age na vida com cautela e presta homenagem a quem encontrou também sabedoria. Quem encontrou a sabedoria de Deus, sabe falar bem. No momento certo, o Espírito Santo inspira as palavras necessárias. Aquele que é aberto à Sabedoria mostra provérbios refinados, conselhos afáveis e palavras acertadas àqueles que precisam.
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