Lectio Diária (Eclo 17,20-18,6): O poder de Deus e sua criação.


A lectio de hoje vem nos mostrar o que somos diante da criação, diante do universo. Nisso, pude refletir sobre a luz, muitas vezes utilizada como símbolo da bondade, do bem, da verdade. De fato, esta é revelada na luz, não na escuridão. A luz ela percorre cerca de trezentos mil quilômetros por segundo. Ela levaria uma pouco mais de um segundo para chegar na lua partindo da terra, de tão rápida que é. Apesar de nossos olhos se adaptarem bem à escuridão, precisamos minimamente de alguma fonte de luz para ver alguma coisa. O que isso pode nos dizer? Devemos ser rápidos no agir para fazer o bem e, além disso, somente na luz podemo ver alguma coisa. Se com a luz física é assim, que dirá com Deus.

Por isso a palavra de hoje nos chama a ter uma experiência com a verdadeira luz que é Deus. Convertendo-se a Ele e louvando Seu nome santo e poderoso. Logo no começo, o autor sagrado nos convida a abandonar o pecado, a dar as costas ao que Deus abomina e a nos aproximar Dele, suplicando-lhe o perdão, pois sua misericórdia é infinita.

Depois vemos a afirmação de que os mortos não louvam, mas só quem tem vida e saúde, questionando a nós quem louvará na mansão dos mortos. O que é a morte diante de Deus? A morte é a falta de vida, falta de luz. Quem é a vida? Quem é a luz do mundo? Não é o Cristo, Filho unigênito de Deus Pai todo poderoso? Se estamos Nele, jamais morreremos. Essa é uma promessa divina, que podemos atestar nos evangelhos (Lucas 20,27-38). Alguém poderia me chamar de louco, mas a vida em Deus é algo que ultrapassa este mundo físico e a compreensão dos céticos, com sua limitada inteligência querem compreender o tudo, querem que o universo caiba em suas cabeças.

O autor sagrado questiona ainda os motivos pelo qual o homem faz o mal, pois este é apenas terra e cinza diante dos exércitos celestiais. O Senhor criou todo o universo, por isso esta palavra me fez refletir sobre a luz física, que tem uma velocidade assustadoramente imensa, foi feita para se mover muito mais rápido do que podemos perceber com nossos olhos humanos e limitados. E se uma criação de Deus é assim, que dirá o homem diante dela. E o que é o ser humano diante de um buraco negro? Um monte de átomos que é esmagado e comprimido.

O autor é enfático quando diz que ninguém poderá anunciar as obras de Deus, nem mesmo a sua misericórdia. Aí vem a pergunta: porque anunciamos, então? O poder que o autor sagrado mostra é o de que não conseguimos anunciar tudo o que o Senhor fez, faz e fará. Uma pessoa para anunciar tudo teria de ser tão onisciente quando o próprio Senhor. Ninguém é imortal, quanto mais onisciente. Podemos anunciar as obras que vemos, mas elas são ínfimas se comparado a todos as obras do Pai Eterno. Quando alguém acha que chegou no fim de conhecer sua obras, percebe que é apenas o início. Mas quem pára diante das obras de Deus e contempla, fica perplexo com a sabedoria do alto.
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