Lectio Divina (Eclo 39,26-41): Deus provê todas as coisas e elas são boas

Olá irmãos e irmãs leitores do blog Fé Em Atitude.
Hoje voltamos com a lectio do livro de Eclesiástico, depois de um longo período sem o fazer por motivos pessoais.
Hoje encontramos na palavra o poder de Deus e o quanto a providência Dele converge para o que é bom.

Logo no início, o autor sagrado mostra que tudo será examinado a seu tempo. Ou seja, tudo será conhecido por nós no tempo oportuno. Podemos observar isso nas ciências, onde a palavra de Deus escrita no universo é descoberta aos poucos e podemos desfrutar Suas leis.

Um rio que transborda é aquele que passa de sua margem habitual e irriga a terra que precisa. Assim é a benção de Deus, irrigando nossas vidas e mostrando aquilo que precisamos ver.

Ao contrário acontece com quem não busca a Deus. Em vez de uma irrigação, acontece uma inundação. As pessoas se afogam na água que deveria salvá-las. Se afogam porque não sabem adquirir a graça, não sabem viver aquilo que Deus sonhou para ela.

A terra boa se torna terra árida quando não se tem o Agricultor, Aquele que tem o poder para preparar perfeitamente a terra do nosso coração para receber as sementes. Podemos notar aqui duas figuras: a terra seca e a enchente, em contra partida da terra irrigada. Ou seja, isso tudo quer nos mostrar a questão dos exageros. Nem seco, nem enchente. Nem 60, nem 6, mas 33. Precisamos aprender a ter temperança, a saber dosar as palavras e as atitudes, senão ou nos afogaremos naquilo que dizemos ou fazemos, ou isso tirará a graça de Deus e nos fará viver uma aridez espiritual tremenda.

O autor sagrado nos revela algo interessante: os bens são para os bons e os bens e o males são para os maus. Ou seja, Deus é tão bom em Sua misericórdia, que derrama coisas boas para todos. No entanto, os males Ele só derrama na vida dos maus. Não que as pessoas boas não sofram tribulações, mas elas não sofrerão consequência de males que nunca fizeram. Quem faz o mal, cedo ou tarde, colherá esse mal de alguma forma.

No versículo 31, o autor mostra uma série de coisas materiais necessárias ao homem naquela época, o que mostra duas coisas para nós. Primeiro: Deus se importa com nossas necessidades físicas. Se importa com nossa alimentação, com o que vestiremos, onde nós moramos, etc. Segundo: as coisas boas no âmbito material em nossas vidas são esses bens que Deus da tanto aos bons quanto aos maus. A grande diferença é que as pessoas boas saberão ter um coração grato. Enquanto que as más só reclamarão, mesmo que tenho bens materiais em grandes quantidades.

Dessa maneira, o que bens materiais podem ser tanto causa de queda, como de soerguimento. Uma faca pode ser usada para criar uma boa salada de frutas, mas também pode ser usada para ferir alguém. Uma coisa pode ser usada tanto para o bem, quanto para o mal e nós precisamos policiar nossas ações para levar todas as coisas que temos para Deus, como que em ofenda agradável a Ele.

Quem vive de vingança só aumenta, dia após dia, a sua raiva. A vingança se torna um câncer que vai consumindo o coração da pessoa, até que ela deixa de ser grata e passa a reclamar de tudo e de todos. Para ela, parece que nada está bom. Mas Deus em sua misericórdia infinita, sempre da chace para que nos convertamos, arrependidos dos nossos males, voltemos para os braços Dele. Mas a conversão precisa ser urgente, porque não sabemos nem o dia, nem a hora.

Os versículos 33 até 37, mostra a justiça de Deus diante dos ímpios. O Senhor agirá, segundo o autor, no tempo oportuno. Porque as coisas más foram criadas para os maus. O autor cita algumas delas, como escorpião ou mesmo a fome. Então quem passa fome é porque é mal? Não necessariamente. De repente, no tempo do autor, os maus é que passavam fome. Hoje isso ganha uma conotação muito mais profunda. Existem os maus que passam fome porque, diante da preguiça, preferem viver de esmolas a trabalhar. Por outro lado, existe os que passam fome de Deus, procurando tudo no mundo para se autossatisfazer, sem sucesso. Porque só Deus pode saciar o que em nós é insaciável. Ou seja, os maus passam fome, mas os justos estão sempre sendo cuidados pela providência de Deus. O próprio Jesus fala disso quando rebate as vãs preocupações do mundo. Deus alimenta até os passarinhos, que não plantam nem colhem, imagina a nós (c.f. Mateus 6, 26-32).

O autor mostra o quanto se regojiza por escrever o que escreveu, porque são palavras de vida, palavras que vem do alto para nos transformar.

Tudo o que Deus faz é bom e amável. Tudo o que Ele faz se cumprirá no tempo oportuno, porque sua providência é perfeita.

Nem podemos dizer que uma coisa que Deus faz é pior ou melhor do que outra, como tantas vezes reclamamos. Dizemos que fulano conseguiu isso, ciclano conseguiu aqui, e nós não conseguimos. Todas as coisas serão chamadas boas a seu tempo, depois de transformadas pelo sangue do cordeiro.

Por fim, o autor sagrado nos convida a cantar e louvar a Deus. De fato, diante de tantas coisas boas que o Senhor nos dá, precisamos ter um coração grato. Em vez de reclamar pelo que não temos, agradecer o que temos.

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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