Lectio Divina (Eclo 36, 18-20): Como discernir os fatos da vida?


A Lectio de hoje vem nos falar de discernimento. Vem nos dar exemplos que nos ajudam a olhar para a nossa vida e aprender com a realidade a discernir o que é melhor para todos.

O autor sagrado começa falando do estômago, que consome todo tipo de alimento. Porém, um alimento é melhor do que o outro. Se formos classificar a grosso modo, tem o sabor, a textura, tem os valores calóricos, os benefícios e malefícios do alimento. Ou seja, existem vários quesitos para discernir se um alimento é bom ou não para nós.

Assim é nas situações da vida. Precisamos discernir o que é melhor avaliando determinados fatores. Ao escolher alguém para namorar, é preciso um tempo determinado de amizade. Com o entendimento que tenho de relacionamentos, três meses é suficiente para saber se aquela pessoa tem uma compatibilidade de personalidade com a sua. Para escolher um emprego, é preciso ver o salário, os trabalhos que o cargo almejado exerce e se você está disposto a cumpri-los. Ao escolher um curso numa faculdade, também é essencial observar a afinidade com o curso, com as cadeiras e as matérias que serão vistas. Não é muito difícil observar quais são os critérios para se escolher algo, assim como não o é na alimentação. Quais são os critérios de decisão da situação a qual você passa? Reflitamos.

No segundo versículo, o autor mostra uma comparação. Assim como o paladar distingue o gosto da caça, a mente sábia discerne a palavra mentirosa. Ninguém consegue se esconder atrás de uma mentira, pois é muito fácil derrubá-la, tendo em vista que a mentira é essencialmente formada de ideias falaciosas, facilmente destronadas pelos fatos, pela verdade. Às vezes um gesto, ou até mesmo o nosso conhecimento da verdade, já entrega que aquela pessoa está mentindo. É preciso abrir os olhos. Porém, em contrapartida, não podemos ser injustos e julgar as coisas precipitadamente. É preciso ter certeza que o fato é mentiroso.

Coração perverso destrói, causa tristeza, mas uma pessoa experiente acalma tal coração. Assim nos mostra o autor sagrado que mais vale ser bom, buscar o que é correto, do que a maldade. Ter discernimento é saber escolher o que é bom, justo e amável diante de milhares de escolhas que precisamos fazer dia após dia. Às vezes precisaremos escolher entre duas coisas boas, nisso precisamos colocar na balança e conhecer as necessidades de todas as pessoas envolvidas no fato. Agir assim é agir com o coração, é considerar o outro.

Peçamos a Deus a graça do discernimento, para que Seu Espírito Santo nos guie, ajudando a tomar as melhores decisões para nossas vidas. Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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