Lectio Divina (Eclo 34, 1-8): sonhos e realidades


Hoje a lectio vem nos falar sobre sonhos, adivinhações e presságios. Mas antes de se ater ao texto, o que são essas coisas?

Segundo o dicionário online priberam, sonho (dentro do que o autor sagrado mostra) significa um conjunto de ideias e imagens que se apresentam ao espírito durante o sono. Também significa uma utopia, imaginação sem fundamento, fantasia, ilusão, devaneio, felicidade, algo que dura pouco, esperanças vãs e ideias quiméricas. O mesmo dicionário diz que adivinhação é o ato de adivinhar, ou seja, o ato de prever algo por meios naturais ou desconhecidos. Por fim, presságio significa um sinal pelo qual se ajuíza ou se conjectura do futuro. Também significa um indício de que algo está prestes a acontecer ou mesmo um pressentimento.

Tendo em mãos tais significados, podemos voltar ao texto sagrado.

Logo no primeiro versículo, o autor diz que o insensato tem esperanças vãs e ilusórias e os imbecis voam com os sonhos. Podemos perceber o quão é milenar a semântica da palavra “sonho”, pois a afirmação do autor é a mesma que está no dicionário. Porém, um dos significados é “felicidade”. Nós seres humanos aspiramos de maneira natural a um ou mais sonhos. Desejamos alcançá-los, vivê-los. Uns sonham em se formar num curso desejado, outros em se casar, outros ainda sonham em viajar pelo mundo. Acredito que o autor esteja falando sobre o exagero. Podemos perceber isso quando ele escreve “voam com os sonhos”. Num outro sentido, poderíamos dizer “sonham com os pés fora do chão”, ou seja, sem o viés da realidade.

Existem sonhos que são utopias, ilusões. Alguns vão me chamar de homofóbico, mas a realidade da ciência biológica diz que um homem nunca será uma mulher e uma mulher, um homem. Não importa o tanto de transformações que se façam no exterior, pois a identidade de gênero do ser humano está marcada em seu DNA, no genótipo. Quem tem um sonho desse tipo vive de vãs esperanças, como bem descreve o texto sagrado, ele ou ela estará agarrando sombras e perseguindo o vento. Claro que isso é só um exemplo. Um outro exemplo maluco é uma pessoa sonhar em morar num outro planeta que fica em outra galáxia. Para a tecnologia atual da humanidade isso é impossível, o sonho dessa pessoa é vã e ilusório, uma mentira de onde não se pode tirar nenhuma verdade.

O autor nos diz que sonhos, adivinhações e presságios são coisas inúteis. Ao refletir um pouco sobre o que ele queria dizer, podemos chegar à conclusão de que naquela época existia muita idolatria e as pessoas confiavam plenamente em adivinhos, cartas, dentre outras coisas. Acredito que o autor sagrado esteja falando da imaginação sem fundamento, quando trata de sonho. Fala de prever algo por meios desconhecidos. Hoje podemos prever se vai chover de maneira preciso por meios conhecidos, usando tecnologia e radares de nuvens, além de satélites que observam as mesmas do espaço. Como isso poderia ser uma mentira? Por isso compreendo que o autor esteja falando de adivinhações sem fundamento, tiradas, por exemplo, de cartas e horóscopos.

Com relação ao presságio, podemos notar que funciona da mesma maneira que a previsão do tempo. A estatística estuda hoje projeções para o futuro a partir de dados do passado e do presente. Graficamente, inclusive, podemos observar, por exemplo, se uma população estará grande ou se diminuirá daqui a cinquenta anos. O próprio Jesus nos mostra uma espécie de “presságio lícito” quando lhe pediram um sinal e ele chamou aquela geração de hipócrita, pois sabem se vai chover ou não olhando para o horizonte, mas não sabem interpretar os sinais de Deus e que, por isso, tudo o que teriam seria o sinal do profeta Jonas (c.f. Mateus 16, 1-4).

Logo após, o autor sagrado fala de visitações. Ele diz que se alguém que nos visita não tiver sido enviado pelo altíssimo, não devamos dar atenção a essas pessoas. Em contrapartida, não creio que devamos ser insensíveis com o ser humano. Podemos escutar o outro que vem até um certo ponto, mas se essa pessoa que nos visita pregando algo se exceder no que acreditamos, então pedimos educadamente que ela pare de falar, pois aquele assunto não interessa a nós.

O texto é encerrado mostrando que muitos caíram nesses sonhos, ou seja, nessas mentiras, ilusões e utopias. Que a perfeição da lei de Deus está além das mentiras e a sabedoria perfeita está na boca daquele que é fiel a Deus.

Peçamos a Deus a graça de sermos fiéis a ele para que não nos excedermos nas situações da vida e passemos a acreditar em coisas fantasiosas. Que o Espírito Santo nos ilumine, dando sabedoria para bem julgar e agir diante de si e dos outros. Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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