Lectio Divina (Eclo 33, 19-24): os limites e o respeito que se deve ter consigo e com os outros


Hoje a lectio vem nos falar sobre a liberdade que damos para as pessoas com relação a nós mesmos.

Ela começa chamando a atenção dos chefes do povo, dos que estão à frente. Depois, diz que não se deva dar poderes sobre você enquanto viver para irmãos, filhos, mulher e amigos. O alto nível de liberdade que damos a essas pessoas fará com que elas achem que podem tudo conosco e não é bem por aí. É preciso respeitar, ter limites. Nós temos um limite e precisamos colocar isso em conversa, deixar claro para as pessoas que elas não podem fazer tudo conosco.

A palavra diz ainda que não devamos dar nossos bens a outros, para que não nos arrependamos e queiramos de volta. O que o autor sagrado quis dizer com isso? Dar bens é diferente de dar esmolas, no entanto, Jesus chamou um jovem rico a dar tudo o que tinha aos pobres e segui-lo (c.f. Marcos 10, 17-22). A grande questão aqui é o dar sem esperar nada em troca. O jovem rico foi embora triste, pois sabia que se o fizesse, se arrependeria depois. Deus não nos pede que deixemos nosso livre arbítrio. Todas as nossas escolhas devem ser feitas por decisão própria, livremente, para que não nos arrependamos depois do feito. Por isso, devemos refletir em toda decisão a ser tomada.

Entregar-se ao poder de alguém é se tornar escravo dela. Se uma pessoa conhece uma fraqueza nossa, ela tem poder sobre nós e viveremos injuriados com a mesma. Então não devemos confiar em ninguém? A palavra neste mesmo livro que estamos estudando diz que de mil, escolhamos um como conselheiro (c.f. Eclo 6, 6). Ou seja, não devemos confiar nossa vida, nossa intimidade, a todo mundo, mas àqueles que realmente se importarão conosco.

O autor diz também: é melhor que seus filhos peçam a você do que depender deles. De fato, o pai e a mãe são autoridade da casa. Se eles perdem essa autoridade, o lugar se torna um caos, onde cada um quer mandar e fazer tudo do próprio jeito. Autoridade aqui não significa ditadura, significa que todos nós precisamos de um limite, senão o mundo vira uma anarquia. Da mesma forma que as leis de um país são o limite do que os cidadãos podem fazer, as leis domésticas criadas pelos pais são os limites do que os filhos podem ou não fazer. Felizes os pais que criam os filhos dessa maneira, pois quando adultos estarão aptos a respeitar, sobretudo, a lei de Deus, que está acima de todas as leis e é o nosso limite do que podemos ou não fazer no mundo inteiro.

A palavra nos pede ainda que sejamos donos dos nossos próprios atos. De fato, não devemos colocar a culpa nos outros pelos nossos erros e decisões. E olha que isso acontece muito. Devemos, antes, reconhecer que erramos e assumir diante de todos os erro, pedindo perdão a quem tenha sido machucado. Assim como devemos ser donos de nós mesmo nos direitos, também o precisamos o ser nos deveres. Assim, nos verão com bons olhos e teremos boa fama, segundo a lectio de hoje.

Por fim, a lectio termina dizendo que só no fim da vida é que se deve partir a herança. Isso me fez lembrar da parábola do filho pródigo (c.f. Lucas 15,1-3.11-32). Como pudemos refletir acima, ninguém deve fazer nada sem uma tomada de decisão firme, sem voltar atrás. O pai decidiu na parábola dar ao filho sua parte na herança, mas ele sabia que mesmo retirando essa parte, isso não lhe deixaria pobre, não afetaria suas finanças. Isso é tanto verdade que no retorno do filho, foi dado uma festa onde ele não economizou. O pai nesta parábola sabia o que estava fazendo, embora arriscado.

Peçamos a Deus a graça da prudência, para que decidamos tudo no tempo oportuno e de maneira acertada, que não voltemos atrás. Peçamos também a graça de sermos responsáveis, para que assumamos os nossos erros, e também a graça de sermos donos de nós mesmos. Louvado seja o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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