Lectio Divina (Eclo 30, 21-25): O que fazer diante da tristeza e da melancolia?


Hoje a lectio vem nos falar sobre tristeza e melancolia. Como temos vivido a nossa vida? Tristes? Cabisbaixos? Melancólicos? Ou temos vivido na alegria do Senhor, que é a nossa força?

Logo no primeiro versículo, o autor sagrado aconselha a não se deixar dominar pela tristeza, nem que nos aflijamos com preocupações. Jesus bem nos fala sobre isso em Lucas 12, 22-31. Ele mostra que não adianta vivermos preocupados, pois a preocupação não nos ajudará em nada. Pelo contrário, só nos ocupará com pensamentos inúteis. Jesus nos pede nesta passagem de seu evangelho que confiemos na providência de Deus. Quem confia na providência de Deus, sorri alegremente, porque sabe que o pai bondoso tudo providenciará nas nossas vidas. Não adianta preocupar-se com o fim, mas simplesmente viver o presente.

No segundo versículo, o autor sagrado nos da uma regra de ouro: a alegria prolonga a vida. Quem quiser ter uma vida boa, saudável, deve semear alegria em seu coração e esperar o tempo da colheita, para espalhar a semente no coração dos outros. Me recordo de uma palestra que tive fim de semana, onde o pregador fazia tentativas de piadas para as pessoas rirem. Às vezes o que uma pessoa está precisando é disso: um sorriso, um abraço. Alguém que a faça sorrir. A alegria é deleite da alma e quem a possui, sente mais fluidamente o mover do Espírito Santo.

No terceiro, o autor nos diz para consolar nosso coração da tristeza e afastar a melancolia, porque ela já arruinou muita gente. De fato, a tristeza nos faz paralisar diante dos problemas e já não sabemos o que fazer. Mas vejamos: como consolar um coração que está afundado em tristeza? Normalmente esse coração não consegue ver motivos para sorrir. Mesmo quando vê uma piada ou escuta. Ela está tão afundada de um jeito que nada parece servir para tirar a tristeza. Eu digo que é preciso encontrar os motivos das nossas alegrias nas pequenas coisas da vida: um céu estrelado, ou mesmo com nuvens bonitas; o sabor de um bolo gostoso; o prazer de uma música de que se gosta e que seja alegre; entre outras coisas. Existem muitas formas de ressignificar a tristeza e convertê-la em alegria. O que você está esperando para experimentar?

No quarto, o autor sagrado fala sobre a inveja, a ira e a preocupação. De fato, muitos andam preocupados com o que o outro tem ou deixa de ter. Eu mesmo vejo pessoas fofocando por aí, nos mais diversos lugares, da vida alheia, como se isso fosse da conta delas. O autor nos mostra que esse tipo de atitude encurta os anos. Claro que uma pessoa que vive mais se preocupando com a vida dos outros do que com a própria, deixa de viver e acaba jogando fora tempos preciosos onde se poderia ter feito algo de valor. Não estou dizendo que não devemos nos importar, por exemplo, com quem não tem o que comer. Uma coisa é se preocupar, outra coisa é se ocupar. A preocupação é inerte, enquanto que a ocupação é dinâmica. Uma coisa é reclamar que tem sem pobre, outra coisa é ajudar gente pobre. Entendem a diferença?

Por fim, o autor sagrado mostra que o coração alegre favorece a comida e o apetite, fazendo sentir o gosto da comida. Quando nossa alma padece, nosso corpo também padece. Se não sentimos o gosto de viver, também temos dificuldade de sentir o gosto de uma boa comida porque simplesmente não prestamos mais atenção a ela. A grande questão de quem está triste é que a pessoa anda voltada para o próprio problema, para a própria dificuldade, e não vê o essencial, não vê ao redor o que pode melhorar. Não vê o que ela mesma pode fazer para que as coisas sejam diferentes.

Peçamos a Deus a graça da alegria, de tirar toda tristeza e melancolia, nos trazendo o prazer de viver a vida que Ele nos deu. Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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