Lectio Divina (Eclo 29,21-28): O essencial para viver


Hoje a lectio nos fala sobre as coisas essenciais na vida, em especial a moradia.

Água, pão, roupa e casa para preservar a intimidade são as coisas essenciais da vida. Tanto a água quanto o alimento nosso corpo necessita para viver. Isso é indiscutível. A roupa e a casa nos serve para guardar a nossa dignidade. Além, também, de nos proteger, por exemplo, do frio da noite ao dormir. Lógico que existem outras coisas de que precisamos, como algo para nos distrair e não entramos em maus caminhos. Na verdade, essas coisas essenciais que o autor sagrado mostra são as necessidades para o nosso corpo. Existem também as necessidades da nossa alma, que não é muito diferente do nosso corpo. Nossa alma precisa de água, a água viva do Espírito Santo. Precisa de alimento, o alimento da palavra de Deus e da oração. Precisa de vestimenta: a couraça da verdade, da castidade, da bondade etc. Por fim, precisa de uma casa, que é o nosso corpo. Se tratamos com dignidade o nosso corpo, digno será a casa de nossa alma.

O autor diz que é melhor viver vida de pobre num barraco do que depender dos outros e se alimentar em casa alheia. De fato, não há nada melhor do que você escolher os seus horários, os horários que convém escolher, para alimentar, trabalhar, dentre outras coisas. Uma pessoa que come em casa alheia e depende disso, não poderá escolher a hora que será atendido.

Outra coisa é nos alegrarmos com o que temos. Muita gente murmura porque não tem um carro do ano, uma grana no banco, o console de jogos do momento, dentre outras coisas. Porém, essas pessoas são tratadas como estranhas ao fazerem isso. Pode notar que os outros olham torto para quem reclama demais. E o reclamante acaba sendo desprezado e não atendido.

Vida dura é andar de casa em casa, porque não pode abrir a boca. Caso fale algo desagradável, fica sem alimento, sem água, sem sustento. Por isso a importância do trabalho, de conseguir o seu sustento com o suor. E a partilha com os seus é a alegria da vida.

Além disso, terá de ouvir o que não quer ouvir, coisas desagradáveis, sem reclamar. Será tratado como estranho e se pedirem a opinião, é só para massagear o ego deles, para ouvir você concordar, mesmo que seja algo ruim.

Talvez até seja tratado como empregado não remunerado, como sugere o autor sagrado, onde a pessoa faz coisas que o dono da casa pede, como arrumar a mesa. E se aparecer alguém de estima dos familiares, o forasteiro perderá o lugar e deverá ir embora. É uma vida incerta. Não se sabe para onde vai, o que se vai fazer ou mesmo o que se vai comer.

Para um homem sensato, ser insultado e censurado pelo dono da casa a qual esta hospedado é muito duro. De fato, uma pessoa sensata não gosta de coisas erradas, de mentiras. Caso o sensato se intrometer num assunto onde, por exemplo, o dono da casa diz que roubou alguém, será duramente alvejado com palavras de desprezo e arrogância.

Peçamos a Deus a graça de termos o essência para viver, além de dignidade para podermos denunciar o que está errado e viver bem todas as coisas. Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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