Lectio Divina (Eclo 28,8-12): Brigar é inútil


A lectio de hoje vem trazer um assunto muito pertinente em tempos onde cada um quer ser dono da verdade, gerando discussões irracionais e desnecessárias. O tema é sobre brigas.

Logo no primeiro versículo, o autor sagrado nos dá o conselho de se manter longe de brigas, pois evitaremos o pecado e o homem raivoso atiça a briga. Veja que uma pessoa encolerizada pelo ódio perderá sua razão de ser. Não importa partido, cor, religião, raça. Se uma pessoa grita desesperadamente, mostra que está errada para todos os que escutam. Quem está na verdade, no Cristo Jesus, não se perturba com informações falsas e falácias. Somente quem sabe que as informações são verdadeiras tem esse medo. Claro que, quando escutamos alguém dizer algo ruim de um gosto pessoal, de algo que acreditamos e vemos com nossa vida ser verdade, não nos sentimos bem com isso. Todavia, não podemos perder a razão de ser.

O pecador procura discussões, brigas. Se ele é de igreja, o é apenas para aparecer diante dos outros. O que ele quer mesmo é a confusão com as pessoas. Isso não é coisa de Deus. Até mesmo quem vive em paz, tranquilo, a pessoa pecadora procura um meio de tirar o tranquilo do seu juízo perfeito, armando todo tipo de armadilha.

O versículo dez é muito interessante e ao mesmo tempo o central da palavra de hoje. Quanto mais discutimos, mais a coisa fica feia. Quando alguém inicia uma briga, a melhor forma de encerrar ela de uma vez é fazer silêncio. Nem concordar, nem discordar de quem está brigando. Apenas responder de maneira monossilábica, com um sorriso no rosto e uma tranquilidade no coração. Num instante a outra pessoa vai se desarmar. Quem gosta de brigar, quer outra pessoa para brigar. Se não existe essa outra pessoa, então não existe briga. O autor compara isso a uma fogueira: quanto mais lenha colocamos, mais o fogo arde e crepita. Assim é a briga, quanto mais falamos aquilo que a pessoa não quer ouvir, mais ela ficará com raiva e maior será seus insultos.

Muitas vezes uma discussão começa repentinamente. Quando menos percebemos, estamos no meio de uma, que por si só é inútil. Qual a diferença entre discutir e dialogar? Quem discute, quer impor a sua ideia, quer que o outro aceite como verdade o que está sendo dito de uma forma ou de outra. Já quem dialoga, expõe a sua ideia e espera um posicionamento do outro, não se abalando caso o outro não concorde. A grande questão é: quem segue a própria verdade, que é o Cristo Jesus, não erra. Apesar disso, não é conveniente entrar em discussão, mesmo que estejamos certos, muitas vezes irá convir o silêncio.

Por fim, o autor sagrado faz uma nova comparação que nos remete a uma verdade de vida. Quando sopramos, o fogo aumenta e quando cuspimos, o mesmo apaga. Mas tudo sai da mesma boca. O que ele quis dizer com isso? Quis dizer que a mesma boca que discute, que gera briga, é a boca que apazigua. Ou seja, tudo é uma questão de decisão racional nossa de soprar ou cuspir, colocar lenha ou retirar, brigar ou apaziguar, discutir ou dialogar.

Peçamos a Deus a graça de sermos pessoas tranquilas, buscando apaziguar e dialogar. Que o Espírito Santo nos ensine a procurar vida, em vez de morte, união em vez de desunião. Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
0