Lectio Divina (Eclo 24,1-21): A sabedoria paira sobre o universo


Hoje a lectio trás uma prosa poética, onde o eu lírico é a própria sabedoria. O autor sagrado apenas introduz, dizendo que a sabedoria louva a si mesma. De fato, a sabedoria em si é bela, é deleite para os ouvidos de quem escuta e alegria para quem fala. Claro que o autor sagrado foi inspirado a escrever o texto, mas como se ele fosse a sabedoria.

A sabedoria é a própria palavra de Deus, que se torna uma realidade. Ela percorre todas as coisas visíveis e invisíveis em busca de um lugar para ficar. De fato, a morada da palavra de Deus é o nosso coração. No entanto, se ele não encontra lugar nem nas profundezas (nossos sentimentos), nem nas alturas (nossa mente e inteligência), ela vai embora ao encontro de outra pessoa.

A prosa faz alusão também à escolha do povo de Israel como eleito para receber primeiro a palavra de Deus. De fato, o Senhor sabe o que faz e escolheu o povo que na época mais viveria e aceitaria Sua palavra. Na realidade, pelo que consta nesta prosa, houve tentativas de se instalar em outros povos, mas a sabedoria só encontrou uma morada no povo de Israel.

Desde o princípio o verbo estava junto a Deus e era o próprio Deus, como podemos ler em João 1, 1. Sempre existiu, existe e existirá. Quando assisti ao filme “O livro de Eli” pela primeira vez, a impressão que tive no final do filme foi que a palavra de Deus estava em todos os lugares. O Senhor fala e passa a existir. As plantas, as árvores, o céu, o mar, o ar que respiramos, tudo isso e muito mais exala a palavra de Deus. Até mesmo as estrelas, os sóis, outros planetas, tudo é palavra do Senhor. Por isso a sabedoria é tão sublime.

Ela finca raízes no povo escolhido. Nós somos escolhidos por Deus, cada um de nós. Mas como será nossa atitude? Como a dos outros povos, que não aceitaram a sabedoria, ou como o povo de Israel, que, apesar de suas limitações, a acolheram? Se escolhermos a sabedoria de Deus, cresceremos como uma árvore. No começo, não parecerá nada. Porém, com o passar dos anos, tornamo-nos frondosos e enormes, pois a sabedoria está conosco. A sabedoria estende seus ramos e atinge a todos, no entanto precisamos querer, nos abrir.

Exalaremos perfumes e aqueles que se atraem pela sabedoria também se aproximarão. A sabedoria é como o mel e quem a possui é como o favo de mel, diz o autor. É uma comparação muito propícia, pois o mel é a essência e o favo é o invólucro. Seria como comparar o perfume e o frasco. O primeiro é a sabedoria e o segundo somos nós. Se nos deixamos ser casa da sabedoria, certamente a palavra do Senhor estará conosco e esta é mais preciosa do que todos os tesouros, pois nos dá toda a força para não pecarmos e vivermos bem todas as coisas.

Peçamos a Deus que nos guie nas estradas da vida, nos dando a sabedoria necessária para bem viver. E se temos um coração fechado, peçamos ao Senhor que nos ajude a abrí-lo e, assim, receber toda a beleza e verdade que é Sua palavra. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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