Lectio Divina (Eclo 23,7-11): Jurar pra quê?


Hoje a Lectio vem nos falar de um pecado recorrente: chamar o nome de Deus em vão.

Mas o que seria chamar o nome de Deus em vão? Se estamos em oração e clamamos o nome de Deus por uma situação da vida, ou mesmo pelo simples fato de conversar com Ele e de tê-lo como amigo, pai, mestre e senhor; então não vejo como isso seja chamar em vão.

Como seria, então, cometer esse pecado? Segundo a palavra de hoje, é fazer juramentos em nome de Deus. Como se Deus estivesse jurando por uma situação que você decidiu. Deus pode nos guiar nas estradas da vida, mas Ele sempre coloca a decisão em nossas mãos, pois nos deu livre arbítrio.

Quantas vezes não pecamos pelo que falamos? Por isso precisamos ter cuidado com o que sai de nossas bocas. É preciso disciplina, é preciso pensar antes de falar, para não cometer um pecado. Ainda mais quando se trata do Senhor nosso Deus. O próprio Jesus vem nos dizer para que não juremos de maneira nenhuma. Que nosso sim seja sim e não, não. O Filho do Homem nos fala que tudo o que passa disso vem do maligno (c.f. Mateus 5, 33-37).

O autor sagrado em Eclesiástico vem nos advertir que quem jura em nome do Senhor não está livre de pecar, quem jura em falso não será perdoado, quem faz muitos juramentos comete muitos pecados e quem não cumpre juramentos, peca duas vezes.

Ao refletir sobre isso, podemos chegar ao ponto crucia da pergunta: por que motivo jurar é tão ruim a ponto de nos levar ao pecado? A resposta está no que Jesus nos fala na passagem de Mateus citado nesta Lectio. Ninguém tem certeza do amanhã, ninguém sabe o que há de acontecer. Como alguém pode jurar fazer algo, se ela mesma não sabe se até a conclusão do juramento estará ainda no meio de nós? E jurar em nome de Deus, então, é como querer controlar a Deus para que o juramento seja cumprido, como se isso fosse possível…

O que podemos fazer, no fim das contas, é dizer que fará o possível para concluir a ação. Sem juramentos, sem levantar o nome de Deus em vão. Claro que isso não nos impede de clamar a Deus em oração que nos ajude, se assim for o querer Dele, a concluir a tarefa. Peçamos a Deus essa língua adestrada, para que falemos o bem e levemos o bem às pessoas. Louvado seja o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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