Lectio Divina (Eclo 23,16-27): sexualidade e sensualidade.


A lectio de hoje vem nos ensinar sobre a sexualidade e sobre os pecados que muitos cometem nesta área da vida.

O autor sagrado começa mostrando que existem duas espécie de coisas que multiplicam os pecados e uma terceira que provoca a ira. É incerto saber de que ira ele trata. Talvez a ira de Deus, mas poderia estar se referindo à ira dos homens. São elas: a paixão que arde como fogo aceso e não se apaga até que seja consumada; o homem entregue à sensualidade e que não cessa enquanto não se entregar ao fogo que arde dentro de si; e o homem que trai o leito do matrimônio achando que ninguém está vendo e que Deus não se lembrará disso.

Já vi essa paixão que arde como fogo em vilões de filmes, mas também na vida real. Pessoas que possuem uma paixão ardente por alguém e não para enquanto não tem a pessoa. Quando consegue, depois de todos os planos malignos, começa a esnobar ela e vai atrás de outras paixões. As nossas paixões são assim, como feras selvagens. Ou aprendemos a dominá-las, ou elas nos dominam.

Sobre a sensualidade ou o homem sensual; podemos ter ajuda para o entendimento disso observando o significado de sensualidade. Retirando o significado óbvio, que é qualidade do que é sensual, esta palavra possui quatro significados: volúpia, lascívia, lubricidade e luxúria.

Todos eles são sinônimos e significam sempre procurar prazeres para se auto satisfazer. O objetivo do voluptuoso é satisfazer apenas a si mesmo. Quando num matrimônio, isso causa apenas desgosto para quem é tratado dessa maneira. O sexo não foi feito apenas para satisfazer a si mesmo. Nele acontece o encontro de duas vidas, de duas almas. Portanto, um dos objetivo é satisfazer ao outro. Claro que a igreja nos ensina em seu catecismo que o sexo também tem a ordem procriativa. Esses são os objetivos principais de uma relação sexual e um não se excetua do outro: unitivo e procriativo (CIC 2363).

Sobre o adultério, este é o que o autor sagrado diz que causa ira. Quando um homem ou uma mulher começa a achar que ninguém está vendo e, desta maneira, comete o pecado; aí é que mora a maior de todas as tentações. Enquanto uma pessoa achar que está sozinha e sem nada pra fazer, ela se entregará a pecados. É preciso ter consciência da presença de Deus. Essa consciência é que nos dará forças para não pecar, para sair de uma situação de pecado. Além, claro, de ocuparmos nosso tempo com coisas úteis e que também nos dão prazer, como realizar um sonhos, por exemplo. Quem acha que Deus não vai lembrar do pecado de adultério no casamento, certamente não deve saber que a misericórdia de Deus se estende para todos, inclusive para a esposa de um homem que trai, que fica a chorar nos cantos, ou o contrário. Deus é misericórdia e justiça.

Por fim, precisamos entender que o sexo não é um pecado, o pecado mora no usar o sexo para o que ele não foi feito. O catecismo da igreja nos ensina o seguinte: “Os atos pelos quais os esposos se unem íntima e castamente são honestos e dignos; realizados de modo autenticamente humano, exprimem e alimentam a mútua entrega pela qual se enriquecem um ao outro com alegria e gratidão. A sexualidade é fonte de alegria e de prazer: Foi o próprio Criador Quem [...] estabeleceu que, nesta função [da geração], os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal ao procurar este prazer e gozar dele. Aceitam o que o Criador lhes destinou. No entanto, devem saber manter-se dentro dos limites duma justa moderação.” (CIC 2362)

Portanto, tenhamos a consciência de que existe uma diferença imensa entre sexualidade e sensualidade. O primeiro visa trazer prazer ao outro, enquanto que o segundo visa trazer prazer apenas a si mesmo. Peçamos ao Espírito Santo que nos fortaleça para que dominemos nossas paixões com a força do alto, dando-nos temperança dentro de nossos relacionamentos amorosos, sejam de namorados, noivos ou casados. Que cada um de nós possamos viver a castidade de acordo com o nosso estado de vida. Louvado seja o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.
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