Lectio Divina (Eclo 21,11-28.): o tolo e o sábio.


Quando viver a lei de Deus se torna uma rotina em nossas vidas, passamos a dominar os nossos pensamentos. Isso só é possível com muita luta e policiamento dos próprios pensamentos e atitudes. Essa é a maneira de nos tornar capazes de ficarmos instruídos. Quem alcança tal posição, leva a sabedoria do alto na vida dos outros como uma grande chuva de graças, pois a sabedoria de Deus está com aquele que busca viver a verdade e a lei de Deus. Inteligente é quem ouve uma palavra sábia e acolhe com alegria, meditando sobre ela e melhorando-a com a ajuda do Espírito Santo. De fato, sofre menos quem aprende com os erros dos outros. Já o insensato, torna-se por si mesmo incapaz de ouvir, incapaz de aprender e de evoluir nos próprios pensamentos. Torna-se escravo das próprias paixões e desejos desvairados.

O insensato é aquele que despreza uma instrução, pois sem a mesma ele poderia tomar um rumo errado na vida e arrepender-se. Já aquele que é conhecido como sábio, é solicitado na assembléia e todos escutam o que ele tem a dizer e refletem sobre isso. Ser prudente é buscar na sabedoria a resposta para as próprias loucuras. Assim, enquanto o insensato se perde em si mesmo, o sábio trata sua mente com o elixir da sabedoria e sua inteligência torna-se algo necessária para seus amigos. Por isso, creio que nunca devamos tomar como conselheiro um insensato, pois suas palavras serão uma coisa chata demais de se ouvir. Já o sábio, dirá a verdade e mostrará caminhos que não enxergávamos antes. Para este, uma boa instrução é uma jóia para o próprio crescimento.

No último parágrafo do texto sagrado, me chamou a atenção o versículo 26. Ele é de uma profundidade muito grande, diz que o imbecil possui a mente na língua, enquanto que o sábio possui a língua na mente. Isso pode ser levado aos outro membros do corpo. Afinal, quem domina: o corpo ou a mente? Os desejos da língua de falar mesmo mentiras, ou o desejo da mente de ser prudente? E em nossos órgãos sexuais? Quem manda: nossa mente ou eles? Quem diz onde nossos pés devem ir? Eles mesmos ou a mente? A palavra chave que podemos encontrar no fim do texto de hoje é a prudência. O insensato não sabe esperar: ele grita, olha pelas frestas para ver o que há dentro da casa, bate mais de uma vez, põe o ouvido no portão para ouvir o movimento da casa. Porém, o sábio sabe esperar, chama e espera. Se não for atendido, passa ao próximo passo. Jesus faz dessa maneira quando chega nas portas de nossos corações: ele chama de manso e nós abrimos a porta, ou não.

Peçamos a Deus a graça da sabedoria, de receber com dignidade os conselhos e instruções que nos são dadas e que possamos sempre colocar em oração, diante do Espírito Santo, abrindo a porta dos nossos coração para Jesus. Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado. Amém.
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