Lectio Diária (Eclo 18,7-18): O limite do homem e o bem que deve fazer


A lectio de hoje se divide em duas partes que estão inter relacionadas. Uma fala sobre o que somos diante de Deus e um dos motivos para sua misericórdia ser tão imensa. A outra fala sobre a generosidade na hora de fazer um favor ou dar algo a alguém.

Logo de cara temos um questionamento sobre o que é o homem e qual o seu bem e mal. O questionamento é algo interessante porque ele nos leva à reflexão. Se queremos pensar em algo e saber em oração a vontade de Deus, comecemos com uma pergunta e nós, guiados pelo Espírito Santo, destrinchamos até chegar à vontade de Deus.

O tempo do homem na terra é ínfimo se comparado à eternidade ou mesmo ao tempo de existência da nossa galáxia. Certa vez vi uma comparação do tempo em que o homem existe na terra comparado ao tempo aproximado do universo. Se o universo tivesse 30 dias de existência, o homem teria sido criado nos últimos minutos. De fato, como diz o autor sagrado, somos como grão de areia na praia ou como gota de água no oceano, pequeninos.

É exatamente por saber dos nossos limites, da nossa miserabilidade, que Deus tem tanta misericórdia de nós. Ele sabe do que somos feitos, sabe o que nos levou a ser miseráveis. E mesmo que estejamos num estado de graça de santidade, ainda sim não somos imortais, nosso corpo é castigado pelo tempo. Por isso Sua misericórdia é infinita e se estende a todos os seres vivos.

Olhando para os nosso limites, o Senhor se põe como o nosso pastor, guiando nossos passos, corrigindo os nossos maus pensamentos, repreendendo-nos diante dos nossos erros. Assim Jesus fazia com seus discípulos (c.f. Marcos 8, 31-33), ele faz conosco quando nossos pensamentos não estão alinhados com os do Pai. Além disso, o Senhor tem compaixão de quem se esforça para fazer o bem, para ser alguém de bem, que compartilha e vive o bem. Pois estes são os que seguem a vontade do Pai e o Pai se alegra com isso.

Por fim, na segunda parte, pude notar algo que eu refletia no começo desta semana. Caso queiramos fazer um favor a alguém de mal grado, é melhor não fazer. Porque o favor feito de mal grado ou o presente dado sem vontade é como uma punhalada na pessoa. Uma pessoa de bem sente que está incomodando quem faz aquele favor ou da aquele presente de qualquer jeito. Ela acha que está sendo um peso para ela, porque é exatamente isso o que mostramos quando fazemos as coisas a alguém de mal grado e cheio de reclamações. A palavra amiga, cheia de fé, esperança e caridade; vale mais do que mil esmolas e do que mil favores.

Quem é de bem ofereça as duas coisas: o presente e a palavra amiga. Oferece duplamente o bem, pois isso agrada ao próprio coração também. Mas aquele que é insensato, como diz o autor sagrado, reprova sem se compadecer e faz chorar com seu presente dado sem vontade. Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.

Ação: fazer o bem e levar junto uma palavra de bondade.
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