Lectio Diária (Eclo 17,1-12): discernimento na vida


A lectio de hoje nos mostra a criação como projeto de Deus. Ele nos deu uma vida limitada nesta terra porque tudo aqui é passageiro e nem mesmo o nosso planeta existirá para sempre. No mínimo, daqui há alguns milhões de anos, o sol o engolirá. No entanto, Ele nos amou ao ponto de sonhar com nossa existência. Sim, somos um sonho de Deus que se materializou pelo poder do alto. Viemos da matéria e a ela voltaremos. Mas nossa vida não termina aqui, pois temos e somos também alma. Nestes dias em que vivemos a páscoa do Senhor, que nos revela a ressurreição e o Reino dos Céus, podemos refletir que a morte não é o fim. Sim, nosso Pai tem muitas moradas para nós, como disse Jesus, no céu (c.f. João 14, 2).

Além disso, Deus deu poder ao homem sobre todas as coisas neste planeta, além de domínio sobre os outros animais. Veja que pela inteligência, de fato, dominamos sobre os animais, mas quando não usamos de nossa inteligência, sucumbimos a eles por nossas atitudes selvagens e animalescas. Vemos na criação do homem um reflexo da criação de Deus, que sem a inteligência e sabedoria dada por Ele, jamais teríamos feitos obras tão faraônicas.

Além disso, nos deu discernimento e sentidos, não para que suncumbíssemos aos sentimentos, mas para que pensássemos de maneira racional sobre todas as coisas. Na verdade, é um equilíbrio. Não podemos ser só razão, nem só emoção. Deus criou duas pernas para que uma ajudasse a outra a se equilibrar de pé e a caminhar.

O Senhor nos mostrou também o bem e o mal. Podemos lembrar do Gênesis, quando o homem pecou contra Deus comendo o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Foi uma forma errada de adquirir conhecimento. Se formos comparar, é como querer mostrar coisas de adulto para uma criança de cinco anos. A maneira certa de aprender as coisas é no tempo e Deus, no tempo em que estamos prontos ou que, diante do Senhor, podemos aprender aquele conhecimento. Deus, assim, iria ensinar no momento oportuno o bem e o mal para o homem. O pecado de Adão e Eva não consistiu em saber tal conhecimento, mas sim na desobediência a Deus.

Além disso, o Senhor colocou no homem o temor a Ele, para que reconheçamos a grandeza de suas obras. E como não reconhecer, olhando a imensidão do universo e o grão de areia que somos diante dele? Quem reconhece o poder de Deus na criação, sente uma vontade natural de louvar, de agradecer. Agradecer pela vida, pelas coisas boas que temos. E, de fato, esta profecia escrita pelo autor sagrado sobre as gerações que louvam a grandeza de Deus se perpetuou até hoje e certamente se propagará até o fim dos tempos.

Por fim, a palavra encerra dizendo que o Senhor nos concede a lei da vida, lei está que está vinculada à lei natural, que rege todas as coisas como elas são fisicamente, geologicamente, biologicamente e etc. Fez uma aliança conosco e nos ensinou sua lei, para que a vivamos e tenhamos uma passagem digna neste mundo. Nós vemos essa grandeza e louvamos, mas o Senhor nos adverte para que não cometemos injustiça e cuidemos do próximo. De fato, não há inteligência em quem comete injustiça. Este age movido pela ganância, pelo ter e poder. Não passa de um escravo das próprias mazelas. Quem não cuida do próximo, mesmo que seja o mais conhecedor de todas as ciências, será um eterno leigo no palco da humanidade. Como vi uma vez numa frase: que adianta ter doutorado e não dar bom dia ao porteiro?

Que Deus nos conceda a graça de viver bem todas as coisas, guiados pelo Espírito Santo. Amém!

Ação: Louvar a Deus por toda a criação.
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