Fidelidade infinita


Olá a todos, a paz de Cristo e o amor de Maria!

Em cada ano que passo pela semana santa, sempre o Senhor me da um personagem que me chama a uma reflexão mais profunda sobre ele. Em um ano foi Pilatos e a reflexão sobre o que é a verdade. Noutro ano refleti sobre o soldado que perfurou o lado de Jesus que, banhado por sangue e água, testemunhou sua conversão por todo o lugar que foi, e "o seu testemunho era verdadeiro" (c.f. João 19, 35).


Este ano me veio Maria, que permaneceu fiel a Jesus em toda a sua vida. Veio-me a reflexão de quatro pilares importantes e essenciais que todo cristão deveria observar na mãe de Deus. São eles: força, esperança, silêncio e ação materna.

A Força de Maria

Quando se fala de força, todos já olham o lado do poder, daqueles que subjugam, dos que estão acima dos outros ou os que possuem simplesmente uma força física elevada. Mas a verdadeira força é a dos resistentes. A verdadeira força é dos que permanecem, dos que são fieis. Vivemos numa sociedade onde tudo é motivo para findar uma relação com alguém. As pessoas se mostram fortes, postam fotos de academia, foco, força e fé. Mas interiormente são fracas, emocionalmente como crianças.

Maria nos mostra uma força escomunal quando vê seu filho sendo massacrado, açoitado, pregado na cruz. Qualquer mãe não conseguiria suportar e logo interferiria no ato violento. Maria sabia que era um plano de Deus para a salvação da humanidade. Uma mãe comum, mesmo sabendo que é plano de Deus, dificilmente, senão impossivelmente, não se colocaria entre o filho e os algozes. A força de Maria é sobre humana, vai além do que podemos pensar hoje do que se trata de força.

A esperança de Maria

Maria não seria forte se não tivesse esperança no Senhor. Hoje as pessoas vivem sem esperança, olham para o chão, mostram sorrisos, mas por dentro só há podridões e males que elas só mostram na escuridão de seus quartos.

Ter esperança é acreditar no amanhã, acreditar que algo novo virá, que as coisas vão melhorar. Maria acreditava nisso, acreditava que o amanhã viria, que Jesus voltaria. Por mais que lhe doesse ver seu filho sofrer, ela já deslumbrava interiormente a ressurreição e todo o projeto da instauração do Reino de Deus aqui na terra.

O silêncio de Maria

Vivemos numa sociedade barulhenta, onde tudo é motivo para colocar som alto. O silêncio se tornou perturbador, porque é no silêncio que nos encontramos conosco, com nossas mazelas. As pessoas tem medo de confrontar a si mesmo com a verdade que é Deus, acredito. E todo esse confronto e encontro consigo e com Deus acontece no silêncio.

Vejo pessoas fazendo paredões, querendo disputar quem tem o som mais grave. Pessoas que na discussão, disputam que grita mais alto, pois este é o que "vence" a conversa. A conversa, pois, não é vencida pelas ideias corretas, mas pelas que são gritadas com mais força. Não vejo pessoas disputando pelo silêncio, disputando quem fala mais baixo até sussurrar no ouvido.

Maria, desde a anunciação do anjo à paixão de seu filho, viveu o silêncio. Viveu essa reflexão interior que levava ela a um encontro perfeito com a vontade de Deus. Guardava no coração as coisas extraordinários que Jesus já mostrava desde menino (c.f. Lucas 2, 51). Na paixão de seu filho não foi diferente. Enxugou seu sangue no silêncio, contemplou sua morte no silêncio, sem nada gritar contra seus algozes. Ela imitou o silencio do cordeiro de Deus, que ia em silêncio ao matadouro (c.f. Isaías 53, 7).

A ação materna de Maria

Maria viver no silêncio não significava que ela era imparcial. Toda ação de Jesus, tudo o que acontecia com Ele e que procedia do Pai, gerava uma reação em Maria, que sempre se colocava à serviço. À voz do anjo, que disse sobre sua prima grávida, foi ao encontro de Isabel, mesmo estando também grávida, e serviu.

Cuidou do filho junto com José, levando-o aos preceitos religiosos da época. fazia comida para Jesus e dava o melhor para Ele, pois não era só seu filho, mas o Filho unigênito de Deus. Quando faltou vinho nas bodas, foi mãe daquele casal, intercedeu por eles mesmo Deus Filho dizendo que não era a hora Dele, que não competia a ele fazer aquilo. Talvez Jesus tenha dito isso em sua humanidade, assim como em sua humanidade disse "Pai, afasta de mim este cálice" (c.f. Mateus 26, 39). Maria na sua fidelidade infinita, fazia em tudo a vontade de Deus, mortificou toda a sua vontade para se colocar a serviço do Pai celestial.

Na paixão de Cristo também não foi diferente, Maria agiu na proporção do que podia, dentro da vontade de Deus. Encontrou-se com seu filho e o amou com tudo o que tinha. E até na cruz, mostrou sua ação fiel ao plano de Deus, quando este, surpreendendo a todos, entregou-a como mãe da humanidade (c.f. João 19, 27).

Com Maria, que possamos refletir mais profundamente a fidelidade infinita de Deus, mas que muito bem foi espelhada em Maria, mostrando que sim podemos ser homens e mulheres fieis. Deus abençoe a todos, fé em atitude!
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