Lectio Diária: Eclo 7,22-36.


A Lectio de hoje se divide em três partes, mas que todas estão intrinsecamente ligadas ao nosso caráter. São elas alguns cuidados que precisamos ter diante da família, diante das coisas de Deus (igreja e/ou religião) e diante da sociedade.

Na vida familiar, o autor sagrado nos mostra que precisamos ter cuidado até mesmo dos animais que temos em nossa casa, quanto mais de cônjuge e filhos. os filhos precisam ser educados, mas também disciplinados. Disciplina não significa falta de amor, muito pelo contrário. Significa dar condições aos filhos de caminhar, um dia, com as próprias pernas e construir a própria vida. Só quem tem disciplina é que alcança sabedoria diante do Senhor, como vimos na lectio do dia 13 deste mês. Além disso, o Senhor nos pede que cuidemos de nossos pais, honrando e respeitando-os. O autor sagrado sugere um questionamento que podemos fazer: o que temos dado em troca aos nossos pais depois de ter nos gerado? De ter nos dado vida, educação e alimento? É gratidão o que devolvemos ou ingratidão?

É preciso fazer um exceto com relação a esta parte onde o autor escreve que se um homem não ama a sua esposa, não confie nela. Uma das características essenciais para que um casal se case é o amor. O casal precisa ter convicção que se amam um ao outro e mais ainda: convicção de que é a vontade de Deus de que fiquem juntos. O Senhor quer a nossa felicidade, portanto se é a vontade dele um casal ficar junto, não importa a adversidade, tudo correrá bem no final. Mas se alguém se casou sem amor, Deus não pede que o casal se separe. Jesus deixa muito claro isso em Mateus 5, 31s. Não confiar aqui pode significar uma consequência da falta de amor. Quem ama, certamente confia na pessoa amada. Um homem que não ama sua esposa, ou uma mulher que não ama seu marido, certamente pode aprender a amar. Basta abrir-se e pedir esta graça a Deus.

Na vida de igreja, Deus nos pede que tenhamos temor a Ele (respeito profundo pelo sagrado). Além disso, também pede que respeitemos e honremos os sacerdotes. Estes deram sua vida para as coisas de Deus. Eles poderiam ter casado, ter gerado uma nova família santa, mas o Senhor os chamou a esta missão de dar tudo a Ele e viver uma vida consagrada. Por isso devemos respeitar, pois não estamos na pele deles e não sabemos as dificuldades interiores que enfrentam, a não ser que partilhem conosco. E se partilharem, que sejamos um apoio. Deus certamente verá a caridade que praticarmos para com os sacerdotes.

Por fim, o autor sagrado fala sobre como devemos ser solidários diante da sociedade, diante dos que sofrem. Amar consiste em cuidar e Deus nos pede que amemos o próximo como a si mesmo (c.f. Marcos 12, 30s). Portanto, somos chamados a cuidar das pessoas, não nos demorando a consolar os que choram e visitar os doentes. Mesmo aos mortos devemos dar atenção. A palavra nos diz que seremos amados. De fato, quem cuida, quem dá amor, recebe amor. É a lei da reciprocidade. Não há um coração tão duro que não saiba devolver amor, ainda que seja de maneira grosseira.

Precisamos nos lembrar do nosso fim, que viemos do pó e ao pó retornaremos (c.f. Gênesis 3, 19). No fim das contas, tudo o que contará é o bem que fizermos às pessoas e se nos lembramos do nosso fim, do encontro final com Deus, segundo o autor sagrado, não pecaremos. Para isso é preciso estarmos sempre em sintonia com Deus, tendo momentos de oração somente com Ele. Isso nos fortalece na caminhada.
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