Lectio Diária: Eclo 5, 9-6,4.

Quando escolhemos algo na vida, não pode ser de qualquer maneira, não qualquer coisa ou pessoa que nos aparece. Uma escolha firme passa pela provação, passa por um julgamento que dura o início de uma relação. Quem escolhe de qualquer jeito, pode se arrepender amargamente no final.

Um homem e uma mulher constante é uma bênção para a família, um tesouro para todos. Em um mundo tão mutante, onde as pessoas não sabem mais o que querem e vivem trocando de opinião, ser constante é uma raridade. Mas é isso o que Deus nos pede em sua palavra, que sejamos constantes no que pensamos e coerentes na maneira de falar. Uma pessoa que diz uma coisa e faz outra, ou que em um dia pensa de uma forma e no outro pensa de outra não é digno de crédito. A não ser que o novo pensamento seja uma evolução do primeiro. Mas o que acontece em nossa sociedade são pessoas que dizem ser uma coisa, e vivem outra. Dizem, por exemplo, ser cristãs, mas na verdade são pagãs e creem em ideologias.

Quanto mais ouvimos sobre um assunto, mais teremos condições de responder dignamente, de maneira justa. Ninguém pode ter uma resposta se souber de uma situação pela metade, por isso precisamos aprender a escutar mais do que falar. Escutamos tudo o que o outro tem a dizer e, na hora oportuna, respondemos.

Caso depois que o outro falar tudo o que tem a dizer e mesmo assim não somos capazes de responder naquele momento, é melhor calar e procurar responder em um outro momento mais apropriado para ambos. A prudência nos ajuda para que não nos vejam como tolos, mas como sábios.

Por isso que o nosso falar pode tanto nos trazer honra, como desonra. Jesus nos diz em Mateus 15, 11, que o que mancha o homem é o que sai da boca, não o que entra. Esta passagem da lectio de hoje nos mostra que é a nossa língua a nossa ruína. Quantas vezes falamos num momento indevido e causamos tanta intriga? Precisamos ser sábios, usando a inteligência prudente que Deus nos deu.

Por todas essas coisas, não podemos nos encher e achar que sabemos tudo e temos o direito de caluniar as pessoas, falando verdades ou inverdades das mesmas. É preciso silenciar e entregar-se à oração. Se temos algo contra alguém, antes de tudo entremos em oração e perguntemos a Deus o que falar para essa pessoa. Só depois, com o coração tranquilo, que possamos falar com ela, vivendo do perdão e da reconciliação.

Dizem que errar é humano, no entanto a palavra nos pede que procuremos evitar os erros, sejam os grande, sejam os pequenos. Mas como evitar um erro, se somos falhos? Na realidade, somos uma criação perfeita de Deus. O que nos torna falhos é o pecado que o inimigo de Deus trouxe para o mundo. Evitar o erro é usar sempre do pensar, que é um dom de Deus, para que ajamos com prudência em todas as situações da vida. Quem age de maneira pensada, dificilmente errará, embora possam aparecer inimigos que queiram lhe pôr para baixo.

Aqueles que nos virem, confiarão em nós se usarmos do silêncio e da prudência no falar. Mas o pecador que não tem palavra perecerá, muitas vezes, sozinho.

Diante de nossas paixões, precisamos ter domínio. As paixões nos levam a dizer e fazer o que não queremos. Agimos como pagãos e fazemos o que não deveríamos fazer. Por isso, precisamos dominar o dragão da paixão, para que ela não nos domine e devore tudo de bom que temos. Nisso, deixamos de ser alvos fáceis para nossos inimigos. Peçamos a Deus o dom de dominar nossas paixões.
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