Lectio Diária: Lc 10,1-9


O Senhor não nos deixa alheios, soltos pelo mundo sem nada a fazer. Quando nos encontramos com Cristo, somos chamados a uma missão, assim como foi com estes discípulos. E eles são como membros de Cristo, que é um só corpo e uma só igreja, embora alguns queiram dividir Cristo se desmembrando da igreja que Ele gerou na terra.

Não importa quantas pessoas sejam chamadas. A missão que temos visto sempre precisou de pessoas. Na época de Jesus já era assim e hoje também. A messe é grande, muita gente para ser evangelizada, contudo bastante pessoas já sabem quem é Jesus e a grande questão é a própria conversão dela, que depende dela mesma e de sua adesão ao reino de Deus. Além disso, precisamos confiar em Deus e, se o trabalho está árduo, pedir mais operários ao dono da messe, que em sua misericórdia enviará.

O mundo está cheio de pessoas com maldade no coração, são os lobos que querem devorar aqueles que fazem o bem. São pessoas que querem tudo no fácil: dinheiro fácil, sexo fácil, alegrias constantes e passageiras. Quando este tipo de gente vê uma pessoa fazendo o bem, isso a incomoda profundamente porque ela está no erro e, então, ataca com argumentações falaciosas e busca a queda daquele cristão. Por isso Jesus nos pede para deixar todos os pesos de lado quando for a uma missão, para que nada nos impeça de evangelizar ou seja usado por aqueles que escolheram a maldade contra nós.

O chamado de Jesus é que sejamos anunciadores da paz. Esse chamado não é um carisma, como é pregado, por exemplo, pela comunidade católica Shalom. A paz que somos chamados a anunciar é um chamado universal para aqueles que estão "entre os setenta e dois". Talvez estes setenta e dois até sejam uma comunidade anunciadora da paz, mas isso não fica concreto na palavra de Deus. O que fica concreto é que sempre que formos evangelizar, precisamos levar a paz às pessoas. Podemos não enxergar, mas muita gente tem fome e sede de paz.

Contudo, nem todos querem a paz de Cristo. A paz de Cristo não é uma paz cômoda, sem luta, sem desafiar aqueles que estão nas trevas do erro. Jesus mesmo, quando preso, lançou o seguinte questionamento diante dos seus algozes: "Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?" (c.f. Jo 18, 23). Quem tem a verdadeira paz em seu coração, receberá a paz de Cristo. Senão, fenecerá numa pseudo paz que o acomodará numa vida sem significado.

O Senho não nos pede para visitar o máximo de casas possíveis ao evangelizar. Ele não quer números, Ele quer qualidade. Quer que permaneçamos em um local e façamos tudo o que pudermos fazer, recebendo daquilo que nos oferecerem, seja água, seja comida. Mas não devemos ir evangelizar por causa disso, mas por causa da paz que precisamos anunciar.

Tudo o que fazemos neste mundo merece o seu salário, mesmo a evangelização, mas digo que não devemos exigir que nos paguem. Quem exige pagamento por fazer o bem são os que estão longe do Reino de Deus. Pensam mais em si do que nos outros. Aquele que for justo, certamente lhe dará algo, ainda que seja pão e água e quando der, que nós possamos nos servir. Deus sabe de nossas necessidades e nos alimentará através do próprio povo que se sentir tocado.

Existem muitos tipos de doenças e nós, na evangelização, somos instrumentos de Deus para levar o médico dos médicos a visitar aquela casa. Como diz no versículo primeiro: "aonde ele próprio (Jesus) devia ir". E essa pode e deve ser uma visita de cura, de libertação. Mesmo que a pessoa não seja curada, mesmo que a pessoa continue com sua enfermidade física, mas a alma estará sã. Que possamos viver o chamado universal da evangelização e anunciação da paz de Cristo a todos.
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