Sobre aborto

Certa vez uma pessoal veio questionar minha posição sobre o aborto e lhe respondi desta maneira:

Quem deve pagar pelo estupro? O estuprador ou a criança? Condenar a criança é como num assalto onde existe o assaltado, o assaltante e o passivo; criminalizar o passivo só porque estava ali, no meio do crime. Por que criminalizar quem não tinha nada a ver com a história?
Você já parou para pensar que poderia ser você? Que você poderia ter sido totalmente apagada da história e nunca existiria? Agradeça à sua mãe hoje mesmo, abrace-a e a beije, por ter decidido que você deveria viver e ter te sustentado no ventre dela. Você poderia dizer: "mas minha mãe não foi estuprada". E se tivesse sido, e aí? O que você tem a dizer a todas as pessoas nascidas de mães estupradas? Que elas devem morrer por serem fruto de estupro?
Confesso que já discuti muito esse assunto com muitas pessoas e estou cansado, porque apesar de escutar as pessoas que pensam diferente, não vejo o mesmo do outro lado, não vejo reciprocidade. Digo isso porque quero desde já evitar qualquer tipo de discussão por aqui, por este meio virtual tão vulgar, que tira o que mais existe de melhor nas pessoas: o contato, o olhar, a mão gelada e até o coração batendo forte.
Claro que isso pode ser diferente com você, pode ser que depois de ler este texto você possa repensar muitas coisas e de dois um: continuar pensando da mesma forma, ou pensar de uma maneira totalmente nova, que não será minha, nem de ninguém, mas só sua. Fruto de uma tese e uma antítese que gera uma síntese dentro de você.
Pessoas agregadas a uma ideologia são pessoas que normalmente acreditam cegamente em uma ideologia, totalmente cheia de "não me toque", imutável. Me diga: o que nesta curta vida que temos é imutável? Por que alguém que acredita em uma ideologia não pode olhar um outro ponto de vista, uma outra opinião, e remodelar aquilo que acredita a partir de outros pontos? Por isso não tenho ideologia, sou livre, verdadeiramente livre. Livre no campo das ideias, onde posso sempre me modelar e remodelar, melhorar como ser humano, mas nunca mudar quem realmente sou, minha identidade única que ninguém mais terá na face da terra, e nem quero que ninguém tenha, como muitos ideológicos o quiseram pela história.
Boa noite, <Fulano(a)>. Fique em paz.
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