Singularidade

Eles estavam de mãos dadas, sentados de frente um pro outro e com olhares que penetrar-se-ão dentro deles mesmos, numa espécie de entrada una para dois espelhos d'alma infinitos. De fato estavam entrelaçados numa união que só Deus poderia permitir.

Mãos frente uma da outra, cruzavam-se aqueles dedos diferentes, vindos de genéticas únicas, que nova chance faziam aparecer ali. Chance de recomeçar, de fazer nascer o futuro de toda uma nação dentro daquelas palmas coladas. Tudo seguido de um aconchegante abraço.

Logo mais um belo sussurrar trouxe arrepios, a alma sorria puramente naquele instante. Ela tocava levemente seus lábios no rosto dele, tangenciando a suavidade de um campo de flores; numa espécie de estrada para um reino abençoado, que levava ao encontro sagaz de quatro meias-luas de amor.

E, naquele momento, houve uma troca sublime de carícias. Os astros se encontravam, como nos raios solares que, mesmo a noite, tocam a terra através de um banho prateado de luz. Assim foi com aqueles amantes amados, banhando-se na preciosa singularidade de um beijo apaixonado.
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